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CANAL RURAL ENTREVISTA

bet green - Modelo cooperativista deve representar 10% do PIB em 2027, diz OCB

Superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Zanella, fala sobre os desafios do modelo cooperativista brasileiro

Obet green Entrevista desta terça-feira (26) foi, mais uma vez, gravado diretamente em Dubai, onde a emissora cobriu os principais temas que afetaram o agronegócio durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2023 (COP 28).

Convidada desta edição, a superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Zanella, destacou o viés sustentável do cooperativismo brasileiro. Confira os principais momentos da conversa:

Segmentos do cooperativismo brasileiro

Tânia destaca que existem sete ramos do cooperativismo no Brasil. “O mais tradicional ainda é o setor agrícola, que responde por 54% da produção, da originação de grãos, ou seja, passa pelo modelo cooperativista. Temos também as nossas cooperativas de crédito; estamos em 235 municípios aonde não existe outra instituição financeira que não seja as cooperativas. Temos as cooperativas de saúde, como também as de produção de bens e serviços, além do ramo de transporte, assim como o cooperativo de consumo. Enfim, o cooperativismo é transversal a todos os modelos econômicos”.

Boas práticas sustentáveis como passaporte de acesso ao mercado internacional

A superintendente da OCB ressalta que a pauta de governança ambiental, social e corporativa (ESG, na sigla em inglês) tem o DNA cooperativista. “A questão social faz parte de nosso modelo de negócio em sua essência, mas também incorpora o econômico e o ambiental. Então já temos, inclusive, cooperativas de crédito que estão negociando os Green Bonds (títulos verdes) e que fazem com que essa pauta de ESG, trazida na essência cooperativista, faça toda a diferença nessas negociações. É um modelo que veio para ficar e o cooperativismo está se saindo muito bem.

Abrangência das cooperativas e o potencial de exportação

Na entrevista, Tânia falou da parceria da OCB com a Agência de Promoção de Comércio Exterior e Investimentos (Apex). “Estamos trabalhando um modelo para capacitar, incentivar cooperativas que têm potencial de exportação. Já temos 25 cooperativas que estão nesse programa e a meta para 2023 é atingir 50. Vamos trabalhar esse modelo de exportação para investirmos em outros segmentos, como o artesanato, o açaí da Região Amazônica, enfim, outros produtos que com certeza as nossas cooperativas podem desenvolver para acessar esse mercado”.

Inovação e empreendedorismo no cooperativismo brasileiro

“Temos o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), nosso braço de capacitação e formação, onde há disponível às nossas cooperativas uma gama de produtos, de programas que fazem com que elas respondam a essa necessidade do mercado de estar sempre à frente. Dentro das cooperativas tem se crescido muito a cultura da inovação, de buscar, de acesso ao mercado, de desenvolver o nosso modelo”. Então, com certeza as cooperativas estão bem atentas a essa questão toda que está acontecendo e que passa pela educação, pela formação.”

Conquistas do cooperativismo brasileiro em 2023

“Foi um ano bastante intenso. Tivemos mudança de governo, então tínhamos que nos apresentar, mostrar a pauta do cooperativismo, e fizemos isso. Todas as visitas que fizemos aos ministérios, ao Executivo, Legislativo, foram bastante intensas. Foi um ano desafiador, mas que trouxe excelentes conquistas para o cooperativismo brasileiro”.

Reconhecimento do ato cooperativo

A superintendente da OCB ressalta que desde 1988, com a promulgação da Constituição, ainda não havia se conseguido avançar no conceito do ato cooperativo. “Então, quando se teve a decisão de andar com a Reforma Tributária, foi esse o ponto principal. Essa foi a defesa principal que o Sistema OCB trouxe para a proposta, ou seja, não apenas de avançar no conceito do ato cooperativo, como também a não incidência, que é uma questão crucial para o movimento cooperativista, que já estava judicializado. Nós, de longa data, já estávamos trabalhando isso muito forte no Judiciário, mas conseguimos avançar com o tema na Câmara e sustentar essa proposta no Senado”.

Quantidade de cooperativas e cooperados no Brasil

“A gente vai fechar o ano de 2023 com 6.683 cooperativas dos sete ramos de atividades. Temos um contingente de 20,5 milhões de brasileiros envolvidos em nossas cooperativas. Se pensarmos que cada família possa ter uma ou duas pessoas envolvidos com o modelo, nós estamos falando de quase 40 milhões de brasileiros envolvidos com o modelo cooperativista. Além de tudo, estamos movimentando, nesse final de 2023, cerca de 700 bilhões de reais em nossas cooperativas. Isso mostra o quanto o cooperativismo segue resiliente mesmo em momentos de insegurança”

Desafios do sistema cooperativo para 2024

Durante a entrevista, Tânia destaca que houve avanços para o cooperativismo na Reforma Tributária, mas diversas questões ficaram a cargo da regulamentação. “Os grandes avanços que teremos para sustentar o nosso modelo serão as regulamentações que, com certeza vão acontecer no ano de 2024. Demos um pontapé ainda neste ano que vai ser um marco importantíssimo para o cooperativismo em 2024, que é a realização do 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo, a ocorrer em Brasília de 13 a 17 de maio. São esperadas mais de três mil cooperativas nesse evento. Lá, traçaremos os rumos e o planejamento estratégico do movimento cooperativista a partir de 2024”.

Tema central do congresso

Tânia conta que o tema principal do congresso será a cultura cooperativista. “Diferenciar o nosso modelo de negócio do modelo convencional. Isso foi trazido como um desafio, como uma preocupação das nossas cooperativas, e nós vamos com certeza discutir muito mais a fundo quais são as diretrizes para a gente intensificar cada vez mais esse diferencial”.

Espaço para o cooperativismo crescer de ponta a ponta no Brasil

Há um enraizamento do modelo cooperativista mais presente no Sul, mas temos visto uma expansão muito grande no Norte e Nordeste. Não apenas do modelo cooperativista financeiro […]. A OCB acabou de trabalhar um [projeto] piloto na Região Norte, consolidando o modelo da agricultura familiar, que está mais presente nessas regiões. Assim trabalhamos basicamente três pilares: conformidade, gestão e governança, além do pilar do negócio […]. Sabemos que as culturas são diferentes; temos vários Brasis dentro do nosso país.

Exemplos de sucesso de modelos cooperativistas a serem apresentados na COP 30, no Brasil, em 2025

“Temos excelentes casos de cooperativas, inclusive lá na região de Belém do Pará, onde vai acontecer a COP 30. Um exemplo é a cooperativa Canta, originária dos imigrantes japoneses que vieram para o Brasil e fazem um trabalho sensacional de agrofloresta, de manejo florestal, de trabalhar o tema da sustentabilidade voltado à produção. Não tenho dúvida que nós vamos ter excelentes casos de cooperativismo a serem mostrados […]. Mostraremos ao Brasil e ao mundo que o cooperativismo tem sido um diferencial no meio ambiente.

Faturamento do cooperativismo brasileiro

Tânia ressalta que movimento cooperativista tem o desafio de chegar a 30 milhões de cooperados em 2027 e atingir um trilhão de reais em faturamento. “Entendemos que o nosso modelo, para além do social e econômico, traz prosperidade aonde ele está inserido”. Caso a meta do sistema cooperativista se concretize, o faturamento do setor representará mais de 10% do PIB brasileiro.

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